O Sharpgames mais uma vez realiza uma entrevista com as pessoas que são destaque na comunidade e dessa vez conversamos com a equipe Mother Gaia Studio, finalista da categoria de Games do Imagine Cup 2008. Esperamos que essa experiência sirva de incentivo a novas equipes para o próximo ano, de forma a colaborarmos para colocar o Brasil na "rota" da indústria do desenvolvimento de jogos.
Muito obrigado a equipe e boa sorte em Paris. Vamos a entrevista:
Sharpgames: Qual a formação de sua equipe? De onde vocês vêm? Quem faz o código, gráficos, etc? Rafael: Nossa equipe é formada por Guilherme Campos (Game Design e Programação), Helena Van Kampen (Design), Rafael Fantini (Programação) e Túlio Soria (Programação), cada um com competências bastante distintas.
Eu (Rafael) sou de Macatuba, Túlio é de Pederneiras e Guilherme de Bauru, sendo que estes três municípios são muito próximos. Já Helena é de Holambra, São Paulo, um pouco mais longe.
Desde o início existiu uma divisão de tarefas bem definida – Guilherme cuidaria da mecânica do jogo, Helena faria os desenhos e daria uma identidade visual ao jogo, eu seria responsável por fazer a programação de integração do visual com a mecânica do jogo e Túlio cuidaria da programação que não se encaixasse nas duas categorias citadas e também da definição de uma identidade sonora para o jogo.
A divisão de tarefas se mostrou bastante satisfatória, e por isso a mantivemos até o fim do desenvolvimento. Sharpgames: Em quanto tempo foi feito o jogo que está disponível no site?
Equipe: Desde a formalização da idéia até a última linha de código se passaram aproximadamente oito meses, embora houvesse períodos em que os membros não puderam se dedicar ao City Rain, pode-se dizer que esses foram poucos. Sharpgames: Quais as ferramentas que vocês usaram?
Rafael: Para a programação foram utilizados o Visual Studio 2005 (C#) e o XNA Framework da Microsoft. Já na parte de áudio, utilizamos o software de edição de áudio Audacity e por fim, os softwares Ilustrator e Photoshop da Adobe para os gráficos.
Na parte de planejamento, utilizamos planilhas no Excel e o Project da Microsoft, que nos auxiliaram bastante a definir prazos e também respeitá-los. Sharpgames: Quais as experiências prévias com criação de jogos vocês tinham?
Rafael: Todos nós tivemos experiências restritas em desenvolvimento de jogos, limitadas a trabalhos acadêmicos. Assim, posso afirmar que não houve nenhum jogo desenvolvido por qualquer um dos membros cuja complexidade fosse próxima a do City Rain. Sharpgames: Quais foram os desafios em criar esse jogo usando XNA?
Rafael: Os principais desafios foram relativos à falta de tempo dos membros e à falta de equipamentos (controle, placa gráfica, memória), que foram sempre escassos. Os desafios de caráter técnico sempre foram encarados com entusiasmo pelos membros, que precisavam consultar diversas fontes para compreender e solucionar os problemas que surgiam. Sharpgames: E sobre a final da ImagineCup? Será que conseguimos levar o caneco pra casa?
Rafael: O Imagine Cup é uma competição desafiadora, onde mais de quinhentas equipes se enfrentaram e restaram apenas seis. Isso nos faz ter a certeza de que será uma final disputadíssima e estamos nos preparando para isso. Nosso objetivo agora é um só: ser o campeão mundial na categoria de jogos. Queremos mais do que tudo trazer orgulho para nossa nação, mostrando que o Brasil não é composto apenas de jogadores, mas também de criadores, mentes criativas e inovadoras. Sharpgames: E que vocês pretendem fazer depois da ImagineCup?
Rafael: Desde o início, nosso objetivo não era simplesmente ser campeão na categoria de games. Nós queríamos mais, queríamos aproveitar a oportunidade oferecida pelo Imagine Cup para amadurecer na área de games, ganhar reconhecimento e prestígio e, por último mas não menos importante, para criar outros novos games. Temos outras idéias para futuros jogos, mas prefiro guardá-las e deixá-los na expectativa! Sharpgames: Alguma mensagem para os que pretendem montar uma equipe para o próximo ano?
Rafael: O Imagine Cup é uma competição que preza a qualidade técnica, mas também a criatividade. Os idealizadores buscam idéias inovadoras que possam acrescentar algo a sociedade e, por que não, mudar o mundo! Quando essa idéia chegar, você precisará de um grupo que compartilhe o mesmo sonho, portando encontre uma equipe. De posse dessas duas coisas, resta apenas trabalho, empenho, dedicação, garra e muita força de vontade para fazer do seu sonho algo concreto! Sharpgames: Fale um pouco sobre o conceito por trás do City Rain. É um SimCity ecologicamente correto?
Rafael: Imagine um mundo onde todos estivessem atentos às questões ambientais e respeitassem nosso planeta.
City Rain acredita nesse mundo, e para isso ele pode ser usado como uma poderosa ferramenta educacional, ajudando estudantes do ensino fundamental e médio a estarem sintonizados com os problemas ambientais.
As construções caem (ou chovem, como preferir) do céu e você escolhe aonde colocá-las criando assim sua cidade, seja ela ecológica ou não. É claro que o jogo pontua os jogadores mais atentos às questões ambientais.
Como o jogo possui diversos níveis de dificuldade, ele pode ser lento e sutil de forma a permitir que os jogadores aprendam a jogar e tenham tempo para planejar cada movimento cuidadosamente, assim como pode ser rápido, trazendo desafios àqueles que desejam testar suas habilidades e competir com os amigos.
Com a tecnologia do XNA Framework da Microsoft, nós podemos ensinar da melhor forma: ensinar de uma maneira natural e divertida. O Mother Gaia Studio acredita que a juventude tem o poder para mudar o mundo e investe na conscientização dessa garotada para um desenvolvimento sustentável e de respeito a vida, em toda e qualquer forma. |